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Wellington Ribeiro tira nota 1000 na redação do Enem e revela como escolheu a tese e controlou o tempo de prova
O estudante pernambucano Wellington Ribeiro relata como evoluiu a partir de uma nota 600, descreve a gestão de tempo na prova e apresenta um plano de estudos de quatro semanas
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- Wellington Ribeiro viu a nota 1000 às 00h50, em casa, e disse que demorou para "cair a ficha".
- Ele afirma que saiu de 600 ao melhorar gramática, coesão, coerência e projeto de texto.
- Na prova, fez 5 min de leitura do tema, 1h de rascunho e 45 min para passar a limpo e revisar.
- Propõe um plano de 4 semanas e defende repertório diretamente ligado ao tema.

Às 00h50, em casa, Wellington Ribeiro pegou o celular, conferiu o resultado e se deparou com a nota máxima: 1000 na redação do Enem. A alegria veio com uma sensação de incredulidade. "Fiquei muito feliz, mas demorou muito para cair a ficha. Estava em êxtase", contou à Via Dupla Digital.
A conquista ganhou repercussão em reportagens publicadas por CNN Brasil, Diário de Pernambuco, Metrópoles, Folha de Pernambuco e Guia do Estudante. Nesta entrevista, o estudante detalha escolhas que, segundo ele, foram decisivas para o desempenho: foco em estrutura, consistência argumentativa e repertório usado com pertinência, sem atalhos.
Da nota 600 a 1000: o que mudou no texto
O ponto de partida, segundo ele, foi uma nota 600 em redação. "A minha primeira nota em redação foi 600, o que me fez me engajar mais para melhorar meu desempenho nessa área", afirma.
Ao comparar o início com o resultado final, ele resume a evolução como uma mudança completa de base. "A diferença da minha primeira redação e a última é basicamente tudo: gramática, projeto de texto, coesão e coerência." Na prática, isso significa não apenas escrever com mais correção, mas organizar melhor as ideias, conectá-las com clareza e sustentar a tese com progressão lógica.
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As críticas mais incisivas foram sobre argumentação
Ao longo da preparação, ele diz que recebeu críticas que o desestabilizaram, mas que foram fundamentais, sobretudo as relacionadas à argumentação. "Graças a elas, consegui melhorar muito em todos os aspectos", relata. Para ele, o salto de qualidade veio quando passou a tratar o texto como um projeto: tese bem definida, argumentos com encadeamento e uma conclusão coerente com o percurso desenvolvido.
Por que ele não reescrevia redações
Um ponto que foge do conselho mais comum entre vestibulandos é a recusa à reescrita. "Não reescrevi nenhuma redação, pois não acho isso tão eficiente no processo de escrita", afirma.
A decisão é polêmica porque muitos estudantes usam a reescrita como treino principal. No caso dele, a escolha foi direcionar energia para evoluir de texto em texto, fortalecendo principalmente gramática, coesão, coerência e organização argumentativa.
Sem repertório coringa: repertório precisa estar colado ao tema
Ele também rejeita a ideia de repertório coringa. "Não usava repertórios coringas, pois não acredito na eficácia desse tipo de repertório", diz. Segundo o estudante, o repertório utilizado veio das aulas do curso e de História, sem margem para adaptações genéricas: "Os repertórios que eu usei vieram tanto das aulas do curso quanto de aulas de história, ou seja, não abriram margem para serem coringa, pois estavam intimamente ligados ao tema."
Como ele escolheu a tese: bagagem e coerência com a intervenção
Ao orientar quem ainda trava para começar a redação, ele recomenda partir do que o candidato consegue defender com segurança. "Eu indicaria para o aluno procurar os argumentos que ele já tem facilidade e bagagem para defender. Eu, por exemplo, tenho facilidade em História, então, geralmente, procurava alguma coisa no passado que justificasse o futuro."
Segundo ele, a tese foi escolhida por três motivos: proximidade com ideias que já dominava, ligação clara com uma possível proposta de intervenção e organização cronológica dos argumentos que seriam defendidos.
Controle do tempo no Enem: rascunho como etapa decisiva
Na gestão do tempo, ele descreve um passo a passo bem definido: 5 minutos para ler e entender o tema, 1 hora dedicada ao rascunho e 45 minutos para passar a limpo e revisar.
A lógica é simples: o rascunho não é uma formalidade, e sim o momento de estruturar o texto com segurança, para reduzir a chance de perder o rumo na versão final.
Proposta de intervenção: atuação do poder público e projeto nacional
Na proposta de intervenção, ele diz que costuma destacar a necessidade de ação do poder público de forma condizente com o tema. "Na proposta de intervenção, eu geralmente protagonizo a necessidade de atuação de algum Ministério por meio da criação de algum projeto nacional, ambos sempre condizentes com o tema."
A semana mais difícil foi a pré-prova
Na reta final, o aspecto emocional pesou. Ele afirma que a pior semana foi a de pré-prova, por causa da ansiedade e da proximidade do exame. "A ansiedade e a proximidade da prova consomem o psicológico de qualquer estudante", diz. Para lidar com isso, buscou descanso e acompanhamento profissional: "Tentei dormir um pouco mais e trabalhar isso na terapia."
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Um plano de 4 semanas para retomar e evoluir na redação
Para quem está começando ou voltando a escrever depois de um tempo, ele propõe um plano curto, com diagnóstico, leitura de boas redações e foco em coesão, repertório e gramática, evitando "repertórios de bolso".
Semana 1: avaliar erros da última prova e escrever uma redação para medir o retorno ao processo de escrita, após dois meses sem produzir texto.
Semana 2: selecionar recursos coesivos e ler redações nota 1000.
Semana 3: selecionar repertórios e argumentos e ler redações nota 1000.
Semana 4: mapear erros gramaticais frequentes e reforçar gramática e repertórios socioculturais, evitando repertórios "de bolso" ou coringa, pois, na avaliação dele, isso não é bem visto pelos corretores do Enem.
A trajetória de Wellington Ribeiro até a nota 1000 na redação do Enem reforça uma ideia central: a nota máxima pode ser resultado de método e coerência, com tese bem escolhida, rascunho levado a sério, repertório pertinente e cuidado com o emocional na semana decisiva.
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