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Quando o samba ensina: 10 homenageados do Carnaval ligados à educação e literatura
De Carolina Maria de Jesus a Monteiro Lobato, a avenida transforma conhecimento em narrativa popular e resgata tradição de enredos sobre formação e memória
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- Em 2026, os desfiles de carnaval homenagearam três mulheres ligadas à literatura e à educação: Carolina Maria de Jesus (Unidos da Tijuca), Conceição Evaristo (Império Serrano) e Rosa Magalhães (Salgueiro).
- Fora do eixo Rio-São Paulo, a professora Valdeonira (Florianópolis) e Carlos Francisco Freixo dos Santos (Presidente Prudente) foram homenageados.
- Em São Paulo, a Águia de Ouro venceu, em 2020, com um enredo que destacou Paulo Freire.
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Em 2026, o Carnaval brasileiro voltou a colocar educação, leitura e formação cultural no centro do espetáculo. Escritoras, educadores e intelectuais ocuparam o lugar de personagens principais em enredos de samba do Rio de Janeiro, de São Paulo, de Florianópolis e de outras cidades do interior, num movimento que conecta avenida e sala de aula e resgata uma tradição que atravessa décadas. A lista de 10 homenageados reúne nomes que apareceram em 2026 e outros que marcaram a história do samba desde 1959, mostrando que o carnaval também disputa memória, amplia repertório e ensina.
Os homenageados
1. Carolina Maria de Jesus (2026)
A Unidos da Tijuca apresentou o enredo "Carolina Maria de Jesus" no Grupo Especial do Rio, destacando a autora da obra Quarto de despejo como voz que registrou a desigualdade, a fome e o cotidiano urbano. A escola terminou em 7º lugar, com 268,7 pontos, mas consolidou a presença da escritora no imaginário popular.
2. Rosa Magalhães (2026)
O Acadêmicos do Salgueiro homenageou a carnavalesca Rosa Guimarães com o enredo "A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna de pau". O título trata Rosa como professora, reforçando o papel de quem ensina por meio de pesquisa, referências e narrativa visual. A escola ficou em 4º lugar no Grupo Especial, com 269,7 pontos.
3. Conceição Evaristo (2026)
A Império Serrano escolheu Conceição Evaristo como tema da Série Ouro. O enredo reforçou o conceito de escrevivência, desenvolvido pela autora, que articula biografia, ficção e experiência coletiva em chave negra e periférica, ampliando o cânone literário presente nos desfiles.
4. Professora Valdeonira (2026)
Em Florianópolis, a escola de samba Dascuia levou à Passarela Nego Quirido um tributo à professora Valdeonira, uma figura histórica da rede pública e da comunidade. O enredo associou educação, sociabilidade e formação de gerações.
5. Carlos Francisco Freixo dos Santos (2026)
No interior de São Paulo, em Presidente Prudente, o professor e escritor aposentado foi homenageado com um samba-enredo em desfile local. A escolha mostra a força da educação como tema em carnavais de menor visibilidade nacional.
6. Paulo Freire (2020)
A Águia de Ouro conquistou o título do Grupo Especial de São Paulo com o enredo "O Poder do Saber: Se saber é poder... Quem sabe faz a hora, não espera acontecer", que percorreu a história do conhecimento e destacou Paulo Freire como referência central da educação brasileira.
7. Machado de Assis (1959 e 2009)
Em 1959, a escola Aprendizes da Boca do Mato apresentou um enredo dedicado a Machado de Assis, mostrando que a relação entre samba e literatura já existia antes do Sambódromo. Cinquenta anos depois, em 2009, a Mocidade Independente de Padre Miguel voltou ao autor em formato de clube literário, ao lado de Guimarães Rosa.
8. Guimarães Rosa (2009)
O mesmo enredo da Mocidade, em 2009, colocou Guimarães Rosa como eixo de narrativa, transformando a literatura em currículo cultural popular e reforçando a ideia de que autores são patrimônios culturais coletivos.
9. Carlos Drummond de Andrade (1987)
A Mangueira foi campeã do Grupo Especial do Rio em 1987 com "No reino das palavras, Carlos Drummond de Andrade", enredo que transformou poesia, língua e memória literária em espetáculo de massa.
10. Monteiro Lobato (1967)
Em 1967, a Mangueira levou "O mundo encantado de Monteiro Lobato" para a avenida e conquistou o título. O desfile aproximou literatura infantil, imaginação e formação de leitores, consolidando o livro como tema de carnaval.
A lista de homenageados mostra que a educação no carnaval não é exceção: é tradição. Quando escolas de samba escolhem escritores, professores e intelectuais como personagens principais para seus enredos, a avenida vira espaço de circulação de conhecimento, de disputa de memória e de ampliação de repertório.
Em 2026, a presença de três mulheres ligadas à literatura e à educação no eixo Rio-São Paulo, somada aos tributos em Florianópolis e no interior paulista, reforçou que o samba também é um artifício para ensinar, para lembrar e para formar público.
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