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Quando a sala de aula encontra o palco: a história de Melina Malvezzi
Educadora, consultora e artista, ela transforma formação de professores e projetos culturais em experiências de escuta e pertencimento
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- A matéria apresenta a trajetória de Melina Malvezzi entre educação e música.
- Pedagoga, psicopedagoga e consultora, ela atua com tecnologia, inclusão e formação de professores.
- Como Melina Oyá, a pedagoga celebra raízes afro-brasileiras e a música popular.
- Projetos em Pernambuco aproximam escola, comunidade e cultura.

Início de uma trajetória dedicada à educação
Natural de Curitiba e hoje radicada em Pernambuco, Melina Malvezzi fez da educação e da música dois caminhos que se cruzam o tempo todo. Pedagoga, psicopedagoga, especialista em tecnologias educacionais e cantora, ela construiu uma trajetória em que sala de aula, estúdio e palco se alimentam mutuamente.
“Sim, enxergo uma conexão grande”, conta Melina. “A pedagogia e a música partem de um mesmo ponto: a importância da escuta, da sensibilidade e da intenção. Em sala de aula, assim como no palco, é preciso ler o ambiente e perceber o tempo de cada pessoa, pois cada sujeito aprende no seu tempo. Ao longo da caminhada, percebo cada vez mais que o aprendizado acontece de maneira mais efetiva quando há afeto, presença e sentido.”
A relação de Melina com a educação começou cedo. Formada em Magistério pelo Instituto de Educação do Paraná em 1995, ela concluiu Pedagogia na Universidade Federal do Paraná em 1998. Entre 1996 e 1999, atuou como professora de Educação Infantil e Ensino Fundamental em escolas de Curitiba, experiência que consolidou sua escolha profissional.
Na sequência, vieram as especializações: Tecnologias Educacionais, Psicopedagogia, Educação Especial Inclusiva, Gestão e Tutoria em Educação a Distância, Design Instrucional, Programação Neurolinguística e outras formações que revelam sua decisão de manter a própria prática em constante atualização.

Tecnologia, inclusão e novos públicos
Ao longo dos anos 2000, Melina passou a transitar entre a sala de aula, psicopedagogia e tecnologia educacional. No Hospital de Clínicas, em Curitiba, trabalhou com crianças e adolescentes com dificuldades de aprendizagem. No Centro Social Marista, atuou como educadora social com jovens em situação de risco e em conflito com a lei, usando a informática educativa articulada a projetos de arte, música, teatro e robótica.
“Trabalhar com públicos tão diferentes me ensinou que educar vai muito além de conteúdo. É, antes de tudo, saber escutar, ter empatia e respeitar o tempo e a história de cada pessoa”, afirma. “Com crianças com necessidades especiais, aprendi que o verdadeiro potencial não está nos rótulos, mas no jeito que a gente enxerga e acredita no outro. Já com adolescentes em conflito com a lei, entendi o quanto a educação pode ser uma virada de chave na vida de alguém. Com a formação para técnicos de enfermagem, percebi a relevância de cuidar de quem cuida e da importância em nunca parar de aprender. No fim, ensinar, para mim, é como conduzir uma grande banda: cada pessoa tem seu próprio som e ritmo e, quando existe acolhimento, todo mundo aprende junto.”
Em paralelo, Melina mergulhava cada vez mais na tecnologia educacional. Foi instrutora técnica no projeto Digitando o Futuro, da Futurekids, levando informática educativa à rede municipal de Curitiba. No Grupo Educacional Expoente, atuou como assessora de Tecnologias Educacionais, capacitando professores e alunos, produzindo materiais pedagógicos e coordenando projetos de robótica educacional com Lego Zoom e iniciativas de educação a distância.
“Atuar, desde o início dos anos 2000, com tecnologia educacional me permitiu vivenciar a transição de modelos de aprendizagem tradicional para modelos mais interativos e personalizados”, explica. “Inicialmente, a tecnologia não era bem-vista no mundo da educação, mas hoje faz parte de todo o sistema educacional. A entrada da Inteligência Artificial representa um novo paradigma, com potencial para diagnóstico de lacunas de aprendizagem, adaptação de trilhas formativas e automação de processos avaliativos. Mas acredito que o principal desafio está na formação docente e do próprio estudante para o uso pedagógico, consciente e crítico dessas ferramentas. Assim como na música, a tecnologia amplia o alcance, mas a sensibilidade e a intenção humana continuam sendo insubstituíveis.”

Pernambuco e a inovação pedagógica
A mudança para Pernambuco marcou também uma nova fase profissional e pessoal. Primeiro em Olinda e depois em Recife, Melina ampliou sua atuação em educação e tecnologia, especialmente na formação de professores e na educação a distância. Na Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco, assumiu a coordenação de cursos em Multimeios Didáticos e funções de coordenação educacional.
Participou da elaboração de projetos pedagógicos, produção de materiais didáticos, criação de minicursos, livros digitais e videoaulas com foco em temas como Novo Ensino Médio, itinerários formativos, educação midiática, empreendedorismo, mundo do trabalho, ensino híbrido e metodologias ativas. Também atuou como pedagoga na área da saúde, integrando educação técnica em enfermagem com a realidade hospitalar.
Mais recentemente, em Recife, voltou à Educação Infantil em escolas como a Creche Escola Porto Digital e à rede municipal da cidade, retomando o contato diário com as crianças pequenas, ao mesmo tempo em que fortalece sua atuação como consultora educacional.

Melina Oyá a voz que nasceu nas rodas de samba
Enquanto construía essa carreira robusta na educação, Melina também desenvolvia sua identidade artística como Melina Oyá. A música entrou em sua vida ainda na infância, nas rodas de samba e chorinho em Curitiba. Ela estudou violão e canto lírico, passando por repertórios eruditos franceses, italianos e alemães, ao mesmo tempo em que se aprofundava em clássicos da música brasileira.
Em 2006, prestou uma homenagem ao compositor Paulo César Pinheiro com o show “O importante é que nossa emoção sobreviva”, que depois se tornaria parte de sua discografia. Participou de eventos comemorativos da Bossa Nova e do Circuito Cultural Banco do Brasil, levando seu repertório a diferentes espaços culturais.
Depois de se mudar para Olinda, Melina mergulhou na tradição pernambucana, participando de grupos como o Maracatu Nação Pernambuco e o bloco Samba Soul Delas. A pesquisa sobre compositores locais resultou no álbum “Joia Rara”, e sua veia autoral se fortaleceu na parceria com o percussionista Toca Ogan, da banda Nação Zumbi, em um projeto que mistura ritmos afro-brasileiros com sua voz.
Seu projeto mais recente, “Harmonia das Origens Brasileiras”, celebra as matrizes africanas, indígenas e portuguesas na música do país e propõe no palco uma espécie de aula-espetáculo sobre a formação cultural do Brasil.

Onde ouvir a música de Melina Oyá
As canções de Melina Oyá podem ser ouvidas nas principais plataformas de streaming, como YouTube, Spotify, Deezer, Apple Music, Amazon Music e SoundCloud
Educação e arte como missão de vida
Hoje, unindo consultoria educacional, formação de professores, atuação em sala de aula e projetos artísticos, Melina Malvezzi mostra que é possível costurar múltiplas vocações sem perder o fio condutor.
No centro de tudo, permanece a mesma ideia: educação e arte como experiências de encontro, escuta e transformação, seja diante de uma turma, seja diante de uma plateia.
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