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Da brincadeira de escola à liderança na educação: a jornada de Mayara Rodrigues
Do Complexo do Alemão à gestão estratégica de redes públicas, a consultora une a precisão da Matemática à sensibilidade pedagógica para provar que, mesmo na era da Inteligência Artificial, nada substitui o coração de quem ensina
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- Mayara Rodrigues é Consultora Educacional na Movimenta, com formação em Física, Matemática e Pedagogia.
- Especialista em formação de professores, atua com redes públicas e cursa MBA em Gestão Escolar (USP).
- Defende que a tecnologia é apoio, mas que o coração da educação está na interação humana, mantendo professor e aluno como protagonistas do processo.

Há histórias que parecem escritas antes mesmo de acontecerem. Elas são desenhadas em pequenos gestos da infância que, só anos depois, revelam seu verdadeiro significado. Para quem observa a trajetória de Mayara Rodrigues hoje, uma consultora educacional articulada, mestranda na Universidade de São Paulo (USP) e referência em formação de professores, pode ser difícil imaginar onde tudo começou. Mas a semente dessa jornada estava plantada no chão da sala de sua casa, no Complexo do Alemão, Rio de Janeiro.
Enquanto a maioria das crianças se perdia em brincadeiras de casinha, a pequena Mayara construía sua própria sala de aula. Suas alunas eram bonecas silenciosas e, não raro, a cachorra da família, todas devidamente enfileiradas para ouvir as lições da professora. O material didático era, por si só, um símbolo de amor e esforço familiar, composto por cópias reprográficas que sua mãe, secretária escolar, trazia do trabalho com todo o cuidado. Ali, entre o faz de conta e a realidade, Mayara já ensaiava a missão de sua vida.

Essa vocação foi regada com o orgulho de um pai que celebrava cada nota e cada conquista escolar como se fosse um troféu. Ele transformou a escola em um lugar sagrado de possibilidades para a filha. Foi nesse ambiente de valorização do saber que Mayara cresceu, guiada também por mestres que cruzaram seu caminho no Ensino Médio, como o professor Alvaro, de Geografia, e André, de Química. Eles mostraram a ela que um educador tem o poder de mudar destinos.
A busca pelo sentido: da Física à Pedagogia do afeto
Sua caminhada acadêmica começou desafiadora, no curso de Física da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Foi lá que ela descobriu que ensinar conteúdos complexos poderia ser algo acessível e fascinante. Mas o coração de Mayara pedia mais. Ela queria entender não apenas as leis do universo, mas as leis do aprendizado humano.
Ao mergulhar na Pedagogia e na Matemática, ela encontrou a peça que faltava. Entendeu que a aprendizagem precisa pulsar, precisa ter coragem e conexão com a realidade. Para Mayara, a sala de aula nunca foi um espaço estático. Da Educação Infantil ao Ensino Técnico, passando por turmas de pós-graduação, ela aprendeu que o professor não é um mero transmissor de dados, mas sim um mediador de sonhos.

Essa visão humanizada a levou, em 2018, ao projeto MAJOG e, posteriormente, à Movimenta Educação. O que começou como uma paixão por treinar professores no uso de jogos educacionais evoluiu para algo maior. Mayara viu docentes, antes inseguros, ganharem brilho nos olhos ao perceberem que poderiam ensinar de formas diferentes. Viu escolas públicas transformarem seus espaços e estudantes redescobrirem o prazer pela Matemática. Ali, ela entendeu que seu trabalho não era apenas técnico, era uma alavanca de transformação social.

Uma nova etapa: a gestão estratégica como ferramenta de mudança
Hoje, aquela brincadeira de escola ganhou proporções que a menina do Rio de Janeiro talvez não ousasse sonhar. Como consultora educacional, Mayara Rodrigues assumiu um papel estratégico vital. Ela não está apenas na formação de base, ela está na mesa onde as decisões são tomadas.

Seu trabalho agora envolve dialogar com secretários de educação, desenhar cronogramas com prefeituras e garantir que as políticas públicas sejam, de fato, efetivas. Para sustentar essa responsabilidade, ela buscou a excelência do MBA em Gestão Escolar na USP. Mayara sabe que a paixão precisa de método. Ela entende que, para o professor brilhar na ponta, a gestão precisa ser eficiente, ética e comprometida na base.
O futuro é humano: a tecnologia e a essência do ensinar
Em tempos em que a Inteligência Artificial domina as manchetes e assusta alguns educadores, a voz de Mayara ecoa com serenidade e firmeza na Via Dupla Digital. Ela nos lembra de uma verdade fundamental, a de que a tecnologia é uma ferramenta poderosa, mas o algoritmo não tem coração.
Para a consultora, a Inteligência Artificial não tem escuta, não tem o olhar pedagógico capaz de entender a realidade de cada aluno e não abraça um estudante em crise. Ela é categórica ao afirmar que o professor continua sendo insubstituível.
Para Mayara, o futuro da educação não é uma batalha entre homem e máquina, mas uma dança. Ela convida gestores e professores a perderem o medo, a usarem a IA para instigar a crítica, a pesquisa e a autoria, tal como a sociedade aprendeu a usar o Google anos atrás.
A Mayara de hoje, que planeja estratégias para redes de ensino inteiras, carrega consigo a mesma essência daquela menina que ensinava suas bonecas. Ela continua acreditando, com todas as forças, que a educação é feita de gente. E que inovar, verdadeiramente, é ter a coragem de manter o humano no centro de tudo.
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